sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

#Fact 13: Blackout duplo até pode ser divertido em Londres...

Estamos no final do outono, já com cara de inverno. Mas eu nunca soube o que realmente era o outono antes de vir aqui. A gente aprende quando criança que o outono é quando as folhas caem das árvores, quando o dia tem a mesma duração da noite e as temperaturas são amenas. Pois bem, no Brasil, faz calor o dia inteiro, chove pra cacete e as árvores continuam verdinhas não importa quão forte é a ventania. E eu nunca reparei que o dia tem a mesma duração da noite. Mas enfim, aqui fica bem definido que é outono: nessa época, as arvores já estão peladinhas, os parques e ruas cheios de folhas amarelas e alaranjadas espalhadas por todo lugar e faz aquele friozinho no comecinho do final da tarde, sinalizando que o inverno está por vir. Este então, nem comento. Inverno pra mim tem que ter neve, logo, esse é o meu primeiro inverno oficial. Não tem nada que se compare a abrir a janela de manhã, logo quando você acorda, e ver que nevou a madrugada inteira, pois os telhados e ruas estão cobertos inteiramente de branco. É a coisa mais linda que eu já vi, depois do Robert Pattinson (not).
Ontem eu fui à St. Pauls’s Cathedral (onde a querida Princesa Diana e o retardado do Charles se casaram, segundo o papai). É a terceira coisa mais linda que eu já vi (depois da neve e do Robert Pattinson?)... a igreja por dentro é enorme, tem muitas imagens e esculturas, tudo em mármore e pedras chiquetosas. Subimos (eu e a Min) pelas galerias (tem que pagar 8,50 libras, se você é estudante. Senão, acho que são 10). São aproximadamente 200 degraus atee o “próximo andar” da Igreja, ainda dentro dela, de onde você vê a cúpula em cima e o pátio embaixo. Aí, você sobe mais uns 100 degraus e, já na parte externa, você consegue uma visão maravilhosa de Londres. Estava friiiiiio lá em cima! Estava ventando bastante também. Depois (não, ainda não acabou) você sobe mais 100 degraus estreitíssimos em caracol (odeio escadas em caracol, me deixam tonta) para, enfim, chegar ao topo. Vale todo o esforço. A visão da cidade naquele lugar é extraordinária... o frio também, mas não conta. Min e eu tiramos algumas fotos e fizemos um breve lanchinho. Foi cômico, porque o lugar é super estreito, cabem, sei lá, uns dez turistas só, um ao lado do outro formando um circulo, e eu e a Min na boa, jogando conversa fora e comendo Digestives como se nada estivesse acontecendo. As fotos ficaram lindas... invejem-me. (Fotos só de fora, dentro não é permitido).
            Na saída, passamos pelo “porão” da Igreja, onde tem algumas pessoas famosas (e algumas que eu nunca ouvi falar) dignamente enterradas, algumas homenagens e lembranças de soldados, especialmente os da Segunda Guerra. Vamos ver, Fleming (o cara que descobriu a penicilina) está lá, a Florence Nightingale (enfermeira da Primeira Guerra, que foi solidária o bastante para ganhar uma grande homenagem), alguns duques e outras pessoas importantes, além do Almirante Nelson. No porão, também, é onde fica um restaurante e um café, e uma lojinha de presentes (aliás, em TODOS os lugares que eu fui, seja museu, castelo ou igreja, tem sempre uma lojinha de presentes... é assim que eles fazem dinheiro por aqui). Foi interessante...
            Depois da catedral, “almoçamos” na Starbucks que tem logo na frente. Eu pedi (de novo) um panini e dividimos um chocolate quente dos grandes. Estávamos lá dentro quando nevou por dois minutos. É engraçado isso, é como se fosse uma garoinha de nada por um curtíssimo tempo, só que é gelo. Depois da Starbucks, andamos até o Guildhall e entramos no Clockmakers’ Museum (Museu do Relógio)... É de se notar que os ingleses curtem um relógio, é o que mais tem nessa terra! (depois de ingleses e colombianos, claro). O museu era pequenininho, do tamanho de duas ou três salas de aula, que dá pra olhar em  20 minutos. Tinha toda a historia dos relógios, os fabricantes importantes e para quem fabricavam, destaques de famosos relojoeiros de Londres nos séculos passados e o relógio que Isaac Newton tinha em sua mesa (de verdade!). Era do tamanho de um microondas (virado na vertical), todo em mármore esverdeado e não marcava somente horas e minutos: marcava o dia, o mês, o ano, as fases da lua, etc... (Zzz...)
            Cheguei em casa umas cinco da tarde e quando deu umas nove, tudo apagou. Estava frio, nevando um pouquinho e a Miss Pauline tinha saído. A única luz que tinha era de fora, das outras ruas e do meu laptop. Eu liguei pra mamãe e enquanto falava com ela a Akida entrou no meu quarto, pra me perguntar se estava tudo bem. Quando desliguei o telefone, desci e a encontrei no banheiro, acendendo velas. A gente ficou por lá fofocando um pouquinho e ela me disse que isso não costuma acontecer, mas que pela manhã já estaria tudo bem. Pois bem, eu fui dormir e pus meu celular para tocar às seis, como de costume. Se a luz tivesse voltado, a bateria do meu celular teria carregado e eu poderia ir para a escola feliz e contente como sempre. Mas como eu sou mais feliz e contente (e sortuda) ainda, a luz não voltou até então, o que fez a Pauline entrar aqui, me acordar meia hora depois do que eu deveria ter acordado e me perguntar se eu sairia hoje. Eu disse pra ela que meu despertador não tinha tocado porque a bateria do celular tinha acabado durante a noite (e não deu pra carregar)... Aí ela me disse que ainda estávamos sem luz e que o aquecedor não funcionaria... se eu iria sair hoje? Nem a pau! (claro que eu não fale isso pra ela). Simplesmente disse que eu tiraria o dia pra ficar dormindo mesmo, já que não ia dá pra fazer muita coisa sem luz (e conseqüentemente, sem internet). Ela foi pra escola, eu voltei a dormir. Quando acordei ao meio dia, já tinha voltado e tudo mais... Mas eu não saí mesmo assim.
Agora adivinha... A luz acabou de novo e eu não tenho nada pra fazer. Nesse momento, as duas não estão em casa e o Carlos está dormindo (pra variar um pouco)... Será que teremos jantar a luz de velas? Será que é por causa da neve? Será que eu vou tomar vergonha na cara e sair amanhã? ... hmmmm

(não perca o próximo capitulo!... se a luz voltar, claro).

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