terça-feira, 22 de dezembro de 2009

#Fact 15: Todo e qualquer cisne, em lugar público ou privado, aqui no Reino Unido, pertence à Rainha Elizabeth...

... e se (por acaso) você ferir ou matar um desses animais, você será detido e acusado inafiançavelmente de um crime hediondo. Sim, parece brincadeira, mas essa é a curiosidade máster de hoje que eu ouvi na minha produtiva aula de inglês. Nem a própria Annie se agüenta com os absurdos da lei britânica. Ela caiu na gargalhada, assim como todos nós... essa é a dureza dos países desenvolvidos, não tem mais o que inventar. Mas enfim, cuidemos dos cisnes da Rainha, afinal, não queremos problemas, certo?
Depois disso e de ter finalmente resolvido a minha acomodação para o próximo mês, fui com o Caio e a Clara até Angel, em Islington. É a estação de metrô cujas escadas rolantes são as mais altas de Londres (curiosidade inútil, mas enfim), foi legal. Andamos um pouco e eu achei meio monótona aquela parte da cidade... sério. É um lugar mais residencial, mas tinha umas lojinhas de “velharias” que tocavam musiquinhas natalinas em versões de jazz (foi a parte mais agradável do dia)... peguei um ônibus e fui pra Piccadilly. Aí eu me rendi ao bom e velho McDonald’s e aproveitei para comprar o presente do meu amigo secreto que será entregue amanhã. Comprei um daqueles enfeites temáticos com o Big Ben e a London Eye, envolto num globo de vidro e quando você mexe cai neve no brinquedinho... Hei! Eu gostaria de ganhar um desses! Parece brega e clichê, mas foi tudo que eu encontrei de bonitinho entre 5 e 10 libras (o que foi estipulado). Passei na Boots (que é uma drogaria que vende de TUDO) e (para vocês terem idéia que vende tudo mesmo), comprei um papel de presente lá. E um chocolate também. Sim, fui numa drogaria comprar papel de presente. Só aqui mesmo... Cheguei em casa e embrulhei-o myself... ficou bom, tá? Eu tenho dom para algumas coisas, ao contrário do que vocês pensam...
Na segunda-feira (choveu horrores, nevou horrores e choveu e nevou horrores ao mesmo tempo), fui na exposição “Beatles to Bowie: The 60s exposed” na National Portrait Gallery. No photos, sorry. Nas melhores exposições nunca é permitido... Tirando que era uma exposição de fotos, seria também meio inútil tirar fotos de uma foto. Mas eu gostei. Muito. O mais interessante eram as curiosidades que vinham junto com elas, fora todo o acervo de jornais e capas de discos de vinil de cada ano da década. Muitas coisas para contar, só que eu não vou, sorry. Sei que teve uma foto em especial, do Lennon e o Macca juntos (1967?), que me chamou muita atenção. Eu nunca tinha visto essa foto antes: eles pareciam um casal, mesmo, em sintonia, em branco e preto (dã, 98% delas eram em branco e preto, por que será?). Estavam lindos juntos, e muito charmosos! Eu adorei a foto... (não estou encontrando na Internet! Senão eu postava o link... tá vendo? É para isso que serve uma exposição, é cultura). Sai de lá (não me agüentei) com um livro de imagens “nunca” vistas dos bastidores dos garotos de Liverpool, tiradas pela Astrid Kirchherr (namorada do primeiro baixista dos Beatles - Stu Sutcliffe - e a mesma moça que fez o favor de inventar o Moptop), além de uma pulseira de resina gigantesca, preta com bolinhas brancas, da cara dos anos 60. Ufa. Ponto.
Amanhã, acho que me enfio num cinema de novo. Minha inspiração está acabando (sugestões são bem vindas, como aquela da Savile Row, no sábado), preciso começar a explorar o interior agora... O bom é que mamãe chega na quinta e vou ter companhia para conhecer mais lugares em London, if you know what I mean. Digo, os lugares mais interessantes, aqueles que uma senhorita de 17 anos não poderia ir sozinha... empolgada? Não, nem um pouco... rsrs.
See you!

sábado, 19 de dezembro de 2009

#Fact 14: Cuidado! Digestives (e ingleses) são viciantes...

... Não, eu não tenho nada melhor pra falar, a não ser de comida. Deixo as coisas que eu fiz hoje serem contadas pelas imagens em http://picasaweb.google.com/CellitaPilon/LondonSavileRowAndSoho# e pelos Tweets aqui do lado (caso você seja desavisado o bastante para não ter notado ainda: www.twitter.com/Cellita)
Bom, eu comi na Pizza Hut de novo. Mas o que fez o meu dia, literalmente, foi eu ter pedido uma pizza individual (4 pedaços) e ter ganhado uma média (6 pedaços) de graça, acompanhada com um sorriso e um “I’m sorry, but we didn’t have the individual one, so you get the medium for free” do garçom gatinho da Pizza Hut. Legal, não? Adoro quando essas coisas acontecem. Quero dizer, a pizza, claro. Hoje foi dia de sorrisos viu, pois antes eu passei no Pigalle Club, em Piccadilly, para perguntar sobre o show das Puppini Sisters que vai ter lá na véspera de Natal, onde eu e mamãe vamos passar a noite, e o recepcionista foi SUPER simpático comigo. Eu perguntei, depois de tudo, se eu poderia entrar lá, uma vez que eu tenho 17 anos (e, seria ilegal?). Ele me respondeu: “Of course you can, no problem, you just can’t drink okay?” e caiu na gargalhada. Juro, ele riu muito. Foi tão... natural. Eu ri com ele, agradeci e vim embora, me sentindo super feliz EU VOU PODER ENTRAR! Yay! Vai ser legal... os ingleses são gente boa. Mas eu estava falando de comida...
Quanto aos Digestives... bom... eu tenho um caso de amor e ódio com eles. Confesso que eu já estou meio enjoada deles, mas toda vez que eu vejo um na minha frete eu não resisto. O negócio é viciante, não estou brincando. Cuidado se você experimentar um dia. Deixo aqui (para quem entender), a descrição perfeita sobre eles, tirada da Revista Q:
“That’s true. It’s a fucker, like a crack biscuit. I can eat a pack in one go and my week of sanctimonious diet is gone in five minutes”. –  Tom (sabiamente).

Oh no! Se eu voltar dez quilos mais gorda, já sabem.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

#Fact 13: Blackout duplo até pode ser divertido em Londres...

Estamos no final do outono, já com cara de inverno. Mas eu nunca soube o que realmente era o outono antes de vir aqui. A gente aprende quando criança que o outono é quando as folhas caem das árvores, quando o dia tem a mesma duração da noite e as temperaturas são amenas. Pois bem, no Brasil, faz calor o dia inteiro, chove pra cacete e as árvores continuam verdinhas não importa quão forte é a ventania. E eu nunca reparei que o dia tem a mesma duração da noite. Mas enfim, aqui fica bem definido que é outono: nessa época, as arvores já estão peladinhas, os parques e ruas cheios de folhas amarelas e alaranjadas espalhadas por todo lugar e faz aquele friozinho no comecinho do final da tarde, sinalizando que o inverno está por vir. Este então, nem comento. Inverno pra mim tem que ter neve, logo, esse é o meu primeiro inverno oficial. Não tem nada que se compare a abrir a janela de manhã, logo quando você acorda, e ver que nevou a madrugada inteira, pois os telhados e ruas estão cobertos inteiramente de branco. É a coisa mais linda que eu já vi, depois do Robert Pattinson (not).
Ontem eu fui à St. Pauls’s Cathedral (onde a querida Princesa Diana e o retardado do Charles se casaram, segundo o papai). É a terceira coisa mais linda que eu já vi (depois da neve e do Robert Pattinson?)... a igreja por dentro é enorme, tem muitas imagens e esculturas, tudo em mármore e pedras chiquetosas. Subimos (eu e a Min) pelas galerias (tem que pagar 8,50 libras, se você é estudante. Senão, acho que são 10). São aproximadamente 200 degraus atee o “próximo andar” da Igreja, ainda dentro dela, de onde você vê a cúpula em cima e o pátio embaixo. Aí, você sobe mais uns 100 degraus e, já na parte externa, você consegue uma visão maravilhosa de Londres. Estava friiiiiio lá em cima! Estava ventando bastante também. Depois (não, ainda não acabou) você sobe mais 100 degraus estreitíssimos em caracol (odeio escadas em caracol, me deixam tonta) para, enfim, chegar ao topo. Vale todo o esforço. A visão da cidade naquele lugar é extraordinária... o frio também, mas não conta. Min e eu tiramos algumas fotos e fizemos um breve lanchinho. Foi cômico, porque o lugar é super estreito, cabem, sei lá, uns dez turistas só, um ao lado do outro formando um circulo, e eu e a Min na boa, jogando conversa fora e comendo Digestives como se nada estivesse acontecendo. As fotos ficaram lindas... invejem-me. (Fotos só de fora, dentro não é permitido).
            Na saída, passamos pelo “porão” da Igreja, onde tem algumas pessoas famosas (e algumas que eu nunca ouvi falar) dignamente enterradas, algumas homenagens e lembranças de soldados, especialmente os da Segunda Guerra. Vamos ver, Fleming (o cara que descobriu a penicilina) está lá, a Florence Nightingale (enfermeira da Primeira Guerra, que foi solidária o bastante para ganhar uma grande homenagem), alguns duques e outras pessoas importantes, além do Almirante Nelson. No porão, também, é onde fica um restaurante e um café, e uma lojinha de presentes (aliás, em TODOS os lugares que eu fui, seja museu, castelo ou igreja, tem sempre uma lojinha de presentes... é assim que eles fazem dinheiro por aqui). Foi interessante...
            Depois da catedral, “almoçamos” na Starbucks que tem logo na frente. Eu pedi (de novo) um panini e dividimos um chocolate quente dos grandes. Estávamos lá dentro quando nevou por dois minutos. É engraçado isso, é como se fosse uma garoinha de nada por um curtíssimo tempo, só que é gelo. Depois da Starbucks, andamos até o Guildhall e entramos no Clockmakers’ Museum (Museu do Relógio)... É de se notar que os ingleses curtem um relógio, é o que mais tem nessa terra! (depois de ingleses e colombianos, claro). O museu era pequenininho, do tamanho de duas ou três salas de aula, que dá pra olhar em  20 minutos. Tinha toda a historia dos relógios, os fabricantes importantes e para quem fabricavam, destaques de famosos relojoeiros de Londres nos séculos passados e o relógio que Isaac Newton tinha em sua mesa (de verdade!). Era do tamanho de um microondas (virado na vertical), todo em mármore esverdeado e não marcava somente horas e minutos: marcava o dia, o mês, o ano, as fases da lua, etc... (Zzz...)
            Cheguei em casa umas cinco da tarde e quando deu umas nove, tudo apagou. Estava frio, nevando um pouquinho e a Miss Pauline tinha saído. A única luz que tinha era de fora, das outras ruas e do meu laptop. Eu liguei pra mamãe e enquanto falava com ela a Akida entrou no meu quarto, pra me perguntar se estava tudo bem. Quando desliguei o telefone, desci e a encontrei no banheiro, acendendo velas. A gente ficou por lá fofocando um pouquinho e ela me disse que isso não costuma acontecer, mas que pela manhã já estaria tudo bem. Pois bem, eu fui dormir e pus meu celular para tocar às seis, como de costume. Se a luz tivesse voltado, a bateria do meu celular teria carregado e eu poderia ir para a escola feliz e contente como sempre. Mas como eu sou mais feliz e contente (e sortuda) ainda, a luz não voltou até então, o que fez a Pauline entrar aqui, me acordar meia hora depois do que eu deveria ter acordado e me perguntar se eu sairia hoje. Eu disse pra ela que meu despertador não tinha tocado porque a bateria do celular tinha acabado durante a noite (e não deu pra carregar)... Aí ela me disse que ainda estávamos sem luz e que o aquecedor não funcionaria... se eu iria sair hoje? Nem a pau! (claro que eu não fale isso pra ela). Simplesmente disse que eu tiraria o dia pra ficar dormindo mesmo, já que não ia dá pra fazer muita coisa sem luz (e conseqüentemente, sem internet). Ela foi pra escola, eu voltei a dormir. Quando acordei ao meio dia, já tinha voltado e tudo mais... Mas eu não saí mesmo assim.
Agora adivinha... A luz acabou de novo e eu não tenho nada pra fazer. Nesse momento, as duas não estão em casa e o Carlos está dormindo (pra variar um pouco)... Será que teremos jantar a luz de velas? Será que é por causa da neve? Será que eu vou tomar vergonha na cara e sair amanhã? ... hmmmm

(não perca o próximo capitulo!... se a luz voltar, claro).

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

#Fact 12: Se a chuva de Londres é doce, a neve é levemente salgada...


 (Quarta-feira, 16 de Novembro de 2009)

... não que eu tenha comido (para deixar bem claro), mas entrou um pouquinho na minha boca enquanto eu andava da escola em Holborn até a Leicester Square, onde eu planejei ver um filme hoje. O vento que vinha logo na minha direção empurrava os floquinhos de neve para dentro e espalhava-os também pelo meu rosto. Um sensação incrível! Senti um gostinho levemente salgado, mas isso não importa. Eu só precisava de um titulo legal pra hoje...
Parei no cinema e antes de tudo comprei meu ingresso para o filme “An Education” por 7,45 pounds! Absurdo geral, isso porque era a matinê mais barata e aqui a carteirinha do Rio Branco e nada é a mesma coisa – um adendo: como se a carteirinha do Rio Branco realmente fosse alguma coisa. Enquanto não começava o filme, fui almoçar na Pizza Hut, por lá mesmo. Eu estava LOUCA para comer pizza, aproveitei e fui hoje mesmo. Confesso que não estava tão ruim assim (acho que porque eu estava com fome) mas nada se compara a pizza de Sampa. Liguei pra mamãe de dentro do restaurante como querendo preencher um vazio, que talvez tenha sido preenchido durante o momento da ligação, mas nada se compara (também) à presença de uma pessoa tão querida... (Não vejo a hora de te ver por aqui, aliás, todos vocês!). Assim que eu desliguei, para enfeitar ainda mais a minha cara de choro, começa a tocar Keane dentro da Pizza Hut. Pra que... “This Is The Last Time” ... A pizza veio na hora certa...
O cinema, se tinha mais 6 pessoas era muito. Foi agradável, ninguém mastigando nada, nem bebendo nada, nem agarrando mais ninguém e além do mais, estava quentinho lá dentro. Foi um momento singelamente especial... não sei descrever. Minha primeira sessão de cinema na Inglaterra? Posso dizer que o filme foi fantástico... o tipinho de filme independente que a Marcella gosta e ninguém entende (...o filme e porque eu gosto dele)... Mais uma vez, um daqueles em que eu me enxerguei completamente dentro da vida da personagem principal, só que este teve o final bem mais realista e foi como um aviso para mim. Não vou contar, claro, mas eu peguei. Eu aprendi. E, acima de tudo, SEM LEGENDAS (isso me classifica como avançado em inglês?)... Vai saber!
Voltando pra casa, peguei um ônibus da Leicester até Westminster (sim, isso significa que eu passei pelo Big Ben de novo) e depois de Westminster até Streatham. Choveu e nevou o caminho inteiro. Curiosamente, no ônibus para Streatham, um homem entrou com um cachorro, daqueles grandes (até então eu não sabia que animais podiam freqüentar ônibus) e fez a festa do Upper Deck (eu estava no Upper Deck). Todo mundo rindo, latindo pro cão, tirando fotos dele e ele, despreocupadamente sentou (sim, ele sentou) no banco ao lado de seu dono a fim de observar a atraente paisagem londrina. Será que esse desavisado desse animal consegue reparar nos mesmos detalhes que eu reparo quando passeio pela cidade? Vai saber! (2)
Posso afirmar que hoje o dia foi de combinações superagradáveis. Primeiro a neve, o friozinho, a pizza, um cineminha... uma DIVINA “jacket potato” da Miss Pauline no jantar, chocolate, Caramels Digestives (os favoritos do Tom) e, para fechar a noite, o senhor Michael Bublé (o cara que certamente causa inveja até no Sinatra) cantou duas canções maravilhosas que eu simplesmente adoro para a Rainha Elizabeth na TV, enquanto eu assistia (ou como a Miss Pauline disse: babava) sem desgrudar os olhos da tela.

Poderia eu pedir mais alguma coisa?

sábado, 12 de dezembro de 2009

#Fact 11: Acordei para a vida. Agora é oficial...



"..Hey, I've got nothing to do today but smile.
Here I am...
The only living Girl in London Town
 Half of the time we're gone but we don't know where,
And we don't know here". 

* The Only Living Boy in New York - Simon and Garfunkel.

Estava ouvindo essa música enquanto saia da Tate Britain. Já volto nela...
A Tate, em si, foi surpreendente. Eu sempre fui interessada em arte mas não o suficiente para passar um dia numa galeria. Hoje, foi diferente. Eu simplesmente me perdi ali dentro... Comecei vendo os clássicos, históricos pintores britânicos dos séculos 17 e 18... Gostei muito de dois retratos, um deles era de três crianças LINDAS, netas de um lorde de já faz algum tempinho... Mas os três meninos eram LINDOS! E o pintor fez deles mais lindos ainda. Sei que fiquei meia hora na frente daquele quadro, sem brincadeira. Aí, eu fui passeando. Tinha muita coisa lá (pra variar um pouco)... Os Turners estavam lindos também. Tinha ouvido muito pouco sobre ele nas aulas de artes, então era como se fosse meu primeiro contato com as obras dele. Breathtaking (se existe tradução, é de tirar o fôlego!) Ele tem um tom meio sombrio, gosta de pintar dilúvios. Tinha um que, inclusive, me lembrou um pesadelo que eu tive. Você conseguia notar a feição das pessoas sofrendo ao tentar se segurar em algum lugar... Ele também retratou Londres no século 19, incluindo a construção da ponte de Waterloo. O mais interessante é que você vê no quadro exatamente como a ponte era nessa época... e depois, saindo da galeria, vai até a mesma ponte, vê como o tempo passou e como ela mudou. É uma experiência como nenhuma outra...
Mas voltando à música. Eu deixei a playlist correr sozinha. E, do nada, apareceu-me esse clássico. Eu sentei num banquinho na beira do Thames. Como eu tinha dito antes, era pra eu ter feito nada hoje. Aí, ao invés de fazer nada em Covent Garden, eu resolvi fazer nada na frente do Thames. (Uma boa opção para acordar pra vida, vejam só). Se você tem um cérebro, é meio difícil ficar sem fazer nada mesmo... O meu cérebro começou a pensar. Os meus ouvidos, naturalmente, estavam ouvindo. A minha pele sentiu frio. E os meus olhos estavam olhando. Eu senti o cheiro da Inglaterra. Era como se eu tivesse dormindo por um bom tempo (tipo assim, 17 anos) e ter acordado de repente nesse lugar. E tudo isso só porque eu estava sentada na frente do rio. Eu me senti viva. E, especialmente nesse momento, eu era a única alma viva daquele lugar. Podia estar cheio de pessoas passando, turistas tirando foto, pássaros voando... eu, sentada naquele banco, era a única pessoa vivendo naquele momento. Desculpa o meu egoísmo, mas é verdade. Eu abria e fechava os olhos devagar, respirava fundo como se eu nunca tivesse respirado antes... Eu ria sozinha! E se alguém passasse por ali, ia achar que eu era louca. Não importa, pra mim, não tinha ninguém ali mesmo... O lugar é MEU, a vida é MINHA e, se você não está vivendo, eu estou. E agora é pra valer. Bom dia, vida!

____ filosofando_____

Precisei vir até aqui pra descobrir isso? ... 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

#Fact 10: Exagerada, eu? Exagerado é quem diz que come-se mal em Londres...

Juro, não sei porquê de falar isso agora, deve ser porque eu estou com fome. Mas é sim meio impossível você comer mal por aqui. Esta certo que não se vai em restaurantes todos os dias e às vezes você não curte o tempero, mas é para isso que servem os Sainsbury’s da vida, ou as centenas de Starbucks em cada esquina. Agora, falar mal da comida daqui, me desculpe! Ou então eu realmente perdi a noção de comida boa (e disso, eu entendo!)... Ou então, é porque eu dei MUITA sorte de a minha Landlady (é como se chama a dona da homestay) cozinhar igual a minha mamãe e vovó ou, ainda então, porque eu sei que os Digestives vão matar a minha fome, não importa a hora. Para quem não sabe (fiquei sabendo o nome deles hoje, mas experimentei-os no primeiro dia aqui), os Digestives são o meu mais novo biscoito favorito, assim como os do Tom e do Reino Unido inteiro. Para quem ainda não tem idéia do que eu estou falando ... e de quem eu estou falando. Enfim, só sei que fome eu não vou passar...
Nem sei por onde começar... depois que eu parei. Parar de escrever no blog por um dia vicia! Já estou três atrasada. Bom, na quarta não teve muita coisa, só o meu CAE test que eu quase perdi porque eu jurava que era na quinta-feira. Ainda bem que a minha subconsciência descordou e me acordou no dia e hora certos para eu poder fazer a prova. Fui bem, obrigada. Vamos ver os resultados no final de Janeiro...
Na quinta... bom, primeiro, durante a aula, eu fiquei sabendo que a Candida Doyle (essa aqui , em 95, claro), a tecladista do extinto Pulp (banda que não toca mais hoje e dia, mas eu gosto) vai passar o Natal com a minha teacher Annie e uma colega da Malvern que mora junto com esse amigo da Annie... a Candida, pelo que a Annie me falou e eu entendi, é prima desse Sebastian amigo da Annie e Landlord da Maria Clara. Está confuso, eu sei. Mas eu achei legal porque ela nem é famosa nem nada, pelo menos aí no Brasil, e a banda já está esquecida há uns 10 anos aqui na Inglaterra (depois de terem estourado em 95)... A mesma coisa a Annie falou pra mim: ela não esperava que ninguém (muito menos eu que, em 95, tinha 2 para 3 anos) fosse conhecer a banda e tudo mais... A gente conversou um pouco mais sobre eles, mas quando ela falou no Pulp eu finalmente senti que alguém me entendia... Haha, vai perguntar para alguém aí no Brasil se conhecem eles, enquanto aqui, acho que todos os adultos de hoje passaram a adolescência ouvindo Pulp. Muito legal, era o que eu realmente esperava dos brits... Sei que eu pedi para a Annie, se ela tiver a oportunidade de falar com a Candida, dizer que é uma pena eles não tocarem mais juntos.
Bom, o dia foi musical, aparentemente. Depois da Malven, fomos eu, o Caio, a Maria Clara e a Min para a ...  ABBEY ROAD! Não tenho o que falar, vocês vão ter que ver as fotos mesmo. A vibração daquele lugar é impressionante, só de saber que um monte de gente importante pisou por ali. Aí depois fomos a pé para o Regent’s Park. Por falar em pés, eu acho que perdi os meus, estão moídos até hoje! Andamos MUITO, só sei que atravessamos o parque inteiro (que nem é tão grande assim, comparado com o Hyde Park) e acabamos em Camden Town. Eu peguei o metrô de volta até Waterloo, atravessei a ponte com a vista maravilhosa (e os pés mais que moídos)... e tomei um ônibus para Streatham. Acho que agora vocês entenderam porque eu não escrevi na quinta, não é? Ótimo.
Hoje eu resolvi que não sairia muito. O Caio me levou no Science Museum, que fica na estação South Kensington, onde tem mais 3 museus e o Royal Albert Hall, casa de espetáculos famosíssima. Hoje só deu para conhecer o Science, mas com certeza eu volto lá para terminar o roteiro... O Science, apesar do meu desânimo no começo, é, em si, muito bom (e de graça também)... tem todo o acervo maquinário das Revoluções Industriais, mais algumas coisinhas que eles roubaram dos franceses (que, por sua vez, roubaram de outros povos), mais uma seção maravilhosa de aviões-caça e aeronáutica em geral e, por fim, dois andares espetaculares dedicado somente à Medicina. Impressionante. Eu não tirei fotos porque estava tão entretida que eu não queria parar pra ficar tirando foto de museu. O negocio é ir lá e ver mesmo, na sua frente, porque é de ficar impressionado, sem brincadeira. Ainda mais eu, que gosto dessa área. Sai de lá emocionada, é muito bonito saber toda a historia do avanço da Medicina e tudo que é possível fazer hoje graças às descobertas do passado (e as de hoje também). Vale muito a pena voltar lá. E o mais legal de tudo é que não é um museu convencional, com escritos e imagens somente. Pelo menos na seção de Medicina, eles montaram cada cena (cena mesmo, tipo sala de operação, consultório de dentista do século 19, etc) com maquetes gigantes, bonecos, roupas e equipamentos da época, então você consegue ter uma visão perfeita do que eram os  microscópios, os remédios e tudo mais de cada época. Tem vários vídeos também... Eu poderia ficar um dia inteiro falando sobre isso. Mas eu não vou.
Eu vou parar por aqui, pois é muita informação para um dia só. Preciso de descanso nesse fim de semana! Acho que amanhã vou almoçar em Covent Garden e fazer nada o dia inteiro. Por lá mesmo. Lá é um bom lugar pra fazer nada. Ou tudo, se você preferir. Mas eu, definitivamente, vou fazer nada.

Bye-bye.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

#Fact 9: Chega uma hora que você fica sem palavras para descrever...

... e é para isso que servem as fotos. Aproveitem! (Pra vocês verem, eu usei a palavra ‘monumental’ umas 12 vezes nas legendas)...

Buckingham Palace e St. James’ Park: http://picasaweb.google.com/CellitaPilon/LondonTheBuckinghamPalaceAndStJamesPark#

Vídeos de Buckingham e do Park:

Amanhã tem Abbey Road. Beijos, fui!